
É sempre bom encontrar um filme como esse aqui de vez em quando. Quem conhece a obra de Douglas Sirk sabe que ele é um diretor expert em melodramas com "M" maiusculo e de muita qualidade. Assistir a esse filme se torna um prazer a mais, pois vemos todo o requinte dele só que num gênero incomum para sua obra. Engraçado como ele, e tantos outros, passam tão despercebidos e ficam esquecidos. Tá certo que esse aqui sofre do mesmo mal que o "Secret Beyond The Door" que é o de ter um plot muito semelhante ao de outro filme de grande sucesso lançado anteriormente. Mas isso não deveria ser uma questão tão importante, se o diretor se dá pelo menos o trabalho de transformá-lo em algo único, como é o caso. Se em "SBTD" o filme se assemelha muito com "Suspeita" (1941) e "Rebecca" (1940), aqui temos uma ligação muito forte do plot com o "Gaslight" (1944).
Nos dois filmes temos um homem levando a sua mulher a creditar que ela está ficando louca, até que ela encontra um outro homem que se apaixona por ela e resolve investigar os estranhos acontecimentos. Se em "Gaslight" os acontecimentos vão se dando progressivamente e de forma claustrofóbica, aqui já entramos na história logo de cabeça. O filme já começa com a personagem principal acordando sozinha e desesperada num trem, sem ter idéia de como chegou ali. Daí em diante vamos acompanhando todas as armações do seu marido que está de olho em sua herança. Diferente de "Gaslight", que o personagem do marido usa de jogos psicológicos para desestruturar a mulher, esse daqui apela mesmo para o uso de drogas alucinógenas que ele põe em seu chocolate quente todas as noites antes de dormir.Douglas Sirk consegue transformar o filme em algo tão estiloso, que não consigo lembrar de nada na história do cinema que se assemelhe as cenas em que Claudette Colbert está alucinando e sendo guiada pelo marido. O filme usa e abusa de efeitos provocados pela luz e sombra, o que funciona perfeitamente na fotografia P&B e ajuda a criar o clima de mistério. Claudette Colbert realmente era uma grande atriz, ela consegue dar veracidade a todas as cenas em que está alucinando, o que não deve ter sido fácil. Constato que ainda não assisti um filme com ela, em que não estivesse simplesmente impecável.
DISPONIBILIDADE:
DVD: Só lá fora.
Internet: Emule.
“Ele estava aqui. Eu vi! Eu vi!”













